Te espero

julho 14th, 2011 § Deixe um comentário

(…)

- Só tô esperando.
- Esperando, claro. Você só espera e nunca faz nada! Esperando o que, afinal?
- Uma traição. Uma traição pra poder provar que nosso amor ainda existe. Existe ao menos no orgulho ferido. Ao menos nos pensamentos infinitamente cíclicos que surgirão nos dias seguintes. Uma traição pra provar minha própria existência. Porque sentir… Sentir eu já não sinto nada há muito tempo, nem distraída. Nada se mexe, tudo se mantém. É, eu sei que é imaturidade. Sei que não é indo pra outro lugar que isso vai melhorar, porque indo pra lá não há como ir pra longe de mim, e o problema está aqui, sempre, no reflexo, e é ele que tenho que limpar. Tô esperando uma traição que me recolha à insignicância que sou, que me aponte pr’onde ir: pra baixo, e adiante. Descer. Descer no que só existe quando quero. Descer pra dentro do que não sou. Descer e perceber que você me falou que isso aconteceria e ignorei. Ignorei, sim, masoquista que sou, pra poder fingir surpresa quando acontecesse. Pra poder doer o sufiente pr’eu morrer e voltar outra, de olhar livre, amor leve. Leve a ponto de te acompanhar com o motivo da dor. Livre pra ter o que perdoar. Uma traição. Uma traição pra poder perdoar. É isso que espero.

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